2 de janeiro de 2013

Acontecimentos marcantes / 2012 Novo

Terminado 2012 e fazendo uma retrospectiva sobre os momentos e as figuras mais marcantes dum ano repleto de acontecimentos – bons e maus –, dificilmente existirá consenso se decidirmos escolher a figura ou o momento que mais se destacaram nos 365 dias do último ano.

Apesar de ter sido um ano pródigo em acontecimentos, 2012 terá sempre como referência o maior acontecimento científico do ano: a confirmação da existência – como fora proposto á mais de 40 anos por Peter Higgs –, de um bosão (partícula subatómica) para explicar a existência de matéria no universo.

Sendo conhecido como a “partícula de Deus”, o bosão de Higgs desmistifica (um pouco) a ideia de que o universo seja uma criação divina.

2012 também foi um ano de confrontos, confirmações e contradições.
Na Irlanda, Savita Halappanavar, uma dentista de origem indiana, foi assassinada por um preconceito religiosos que, travestido de lei, teima em promover a regressão ao obscurantismo.

Ao contrário do que alguns “profetas” que – escudados por um silêncio comprometedor teimam em assobiar para o lado –, pretendem fazer crer, a “sharia” cristã é exactamente igual á sua congénere islamita. E os seus crentes apenas divergem nos trajes (por enquanto).

Aqueles que se auto proclamam “pró-vida” e, em casos como o de Savita, “pró-assobio” vivem, no mínimo, em contradição, senão mesmo em negação. Ou somos ou não somos, sermos por conveniência é duplicidade intelectual.

Mas, apesar destes dois acontecimentos e respectivas figuras – Peter Higgs e Savita –, um outro acontecimento terá sido, quanto a mim, o mais marcante e revelador do ano findo.

No norte do Paquistão, Malala Yousafzai, uma menina de 14 anos, foi vítima de uma tentativa de assassinato por parte de religiosos radicais, apenas porque queria estudar.

Os “estudantes de teologia”, aplaudidos num passado recente por imporem uma teocracia no Afeganistão, consideram que, segundo os livros religiosos, o respeito pela dignidade e direitos das mulheres não é uma atitude que conste do curriculum de um ser superior.

Adeptos do “quanto mais ignorante mais fácil se manipula”, os estudantes religiosos, hoje designados talibã, á semelhança dos seus congéneres ocidentais (em particular os evangélicos), promovem a ignorância selectiva, apelando á fé, para mais facilmente imporem uma doutrina de mentira, mediocridade e submissão.

Que o bosão de Peter Higgs contribua para o desenvolvimento da humanidade.
Que o preço pago por Savita sirva para evitar a ditadura do preconceito e da superstição.
E que Malala seja um símbolo de liberdade, querer e independência.

19 de dezembro de 2012

Generosidade Religiosa Recente

Talibãs atacam grupos de vacinação no Paquistão.

Hoje, falar em talibã é falar em extremismo religioso, é falar em terrorismo. Mas ainda me lembro de, num passado recente, serem designados por “estudantes de teologia” e serem descritos como representantes divinos da vontade de um povo.

Mas esta notícia revela mais um aspecto que demonstra o espírito verdadeiro e generoso da religião: sendo a poliomielite “obra” de um qualquer “ser superior”, a aposta no combate e erradicação da maleita deve ser rejeitada e a proliferação e partilha da mesma, por vontade da tal divindade, deverá ser uma realidade.

Isto é religião pura em todo o seu esplendor para que a fragilidade dos crentes seja explorada até á exaustão. A morte, a doença, e a angústia são o terreno fértil para a sementeira de “Deus”.

17 de dezembro de 2012

Religião e Preconceito

O debate público sobre as razões da morte de Savita Halappanavar tem tido desenvolvimentos interessantes não só, porque as pessoas já entenderam que qualquer lei alicerçada numa superstição será sempre uma má lei, mas também porque começam a perceber que a crença numa ideia abstracta obriga a viver em negação e promove a regressão.

Com excepção de algumas mentes menos lúcidas que, por conveniência, se dizem pró-vida e que em casos destes se acobardam atrás de um silêncio comprometedor, é convicção geral, praticamente unânime, de que sem as regras absurdas, senão mesmo doentias, impostas pela religião, teria sido poupada, pelo menos, uma vida, já que o feto não sobreviveria.

Nos debates sobre violência religiosa surgem sempre os “bombeiros de serviço” tentando responsabilizar outras doutrinas, mais radicais e extremistas, garantindo, em nome de uma divindade, que a crença que professam apenas promove o “amor” e os princípios básicos de formação.

Dando de barato os genocídios e infanticídios narrados no “manual de intenções” que é a referência dos crentes, a religião é um regime ditatorial que rejeita a liberdade de pensamento e ignora os mais básicos direitos humanos.

Religião é isso mesmo, independentemente da interpretação da doutrina, é viver em negação por subserviência, a preconceitos inanes e retrógrados, em nome de uma ideia abstracta.

16 de dezembro de 2012

Luto

Newtown é sinónimo de dor e sofrimento.
O mundo civilizado chora a tragédia e está de luto.
Em memória das vítimas... "curvamo-nos e choramos em silêncio".

Infelizmente, mais uma vez, testemunhamos a crueldade de uma mente doente e perturbada.
Infelizmente, mais uma vez, crianças inocentes foram vítimas de um gesto irracional.
Infelizmente, mais uma vez, surgiram “mentes” pérfidas e doentias apregoando moralidades e divindades
As mesmas “mentes” que, promovendo superstições, assobiam para o lado e refugiam-se atrás de um
silêncio comprometedor… As mesmas “mentes” que de forma conveniente citam por conveniência…

LAMENTAMOS

22 de outubro de 2012

Filosofia versus Teologia

Um teólogo e um filósofo discutem os méritos relativos das disciplinas a que se dedicam.

O teólogo diz: A filosofia é como um homem cego que procura numa cave completamente escura um gato preto que não está lá.

O filósofo responde: Pois, e a teologia encontra o gato.