23 de Novembro de 2008

A verdade intimida os preconceitos

É normal que quem assuma uma postura autista de defesa do indefensável ignore o que os outros dizem, mas a diferença entre a aparência e a realidade das coisas poderá ser um hiato fatal para mentalidades limitadas que recusem a existência de um abismo entre a seriedade e a frivolidade.

Quando se impedem os comentários e apagam as mensagens que refutam e/ou contrariam os nossos preconceitos apenas confirmamos que o respeito pelas outras religiões ou pelos pontos de vista dos não crentes, não é uma atitude defendida por “deus”, além de revelarmos um insuficiente amor à verdade e alguma suspeição sobre a honestidade real dos nossos interesses.

Liberdade religiosa é o direito de optar por uma religião, assim como o direito de não acreditar em entidades sobrenaturais, mas fazer uso da pretensão de atingirmos a omnisciência rejeitando soberbamente a razão, é uma incoerência que confirma a intolerância como a essência de todas as crenças, que consideram tudo o resto como meros equívocos.

Não sou crente e não me incomoda o facto de se acreditar em superstições. O que me incomoda é promover-se a arbitrariedade com o fim de justificar uma crença através de demagogia, ilusão e improbabilidade. Uma crença justificada em algo que não se pode questionar não é caminho para verdade nenhuma é, no mínimo, aceitar ideias agradáveis ou confortáveis, por serem agradáveis ou confortáveis, sem nos darmos ao trabalho de tentar saber se são verdadeiras.

23 de Julho de 2008

Após a dúvida

“A dúvida é o princípio da sabedoria.” Aristóteles

É comum a todo o jovem, durante a sua formação a caminho da maturidade, ser confrontado com algumas dúvidas sobre ideias feitas ou modelos estereotipados que o levam a questionar sobre as razões de determinados preconceitos, que quando abordados são susceptíveis de gerarem anticorpos.

Quando percebi que os dogmas eram criados para não serem questionados, compreendi que acreditar em superstições e divindades é uma questão de fé e não de razão.
Ter fé, ou vontade de acreditar, em determinada crença é um direito que assiste a todo o humano – o que até nem incomoda –, apesar de lamentar que os crentes vivam com a mente acorrentada pelo medo de punição em outro mundo.

O que incomoda é ignorar-se a existência de um abismo entre a seriedade e a frivolidade, e justificar a crença através da imposição de mitos como verdades absolutas. Esta realidade é uma hipótese assente em argumentos tão cretinos que nem sequer está errada, simplesmente não faz sentido.

26 de Janeiro de 2008

Concepções

Ao responder ao “comentário” do João alonguei-me na escrita e perante o tamanho do texto optei por transformá-lo num “post”, que não deixa de ser na mesma a resposta a um argumento.

Numa altura em que a ciência cada vez mais tem empurrado “deus” para o desconhecido – a nossa última fronteira –, tem-se sentido a presença de uma campanha de responsabilização do “ateísmo” pelos males da humanidade e intimidação dos “não crentes”, equiparando-os á imagem negativa de “seguidismo e dependência” criada pelos “crentes” ao longo dos séculos.

Richard Dawkins é um cientista e académico conceituado e considerado pelos seus pares, com uma facilidade impressionante de transformar em texto conjuntos de ideias tendentes a contrariar e desmistificar “aquilo” que considera ser ilusão ou superstição.
Estes textos, obras literárias, que ao contrário de outras que são consideradas de “culto espiritual”, pretendem apenas informar e desmistificar as contradições existentes entre o racionalismo científico – baseado em factos verificáveis –, e a ilusão metafórica da fé em acreditar numa divindade, que apesar da falta de provas, se assume como criadora.

Ao contrário do que pretendem fazer crer, Dawkins – apesar do seu curriculum –, não é visto como um líder espiritual pelos “não crentes”, “ateus” ou “admiradores”, que fieis ao princípio de não “embarcarem na autoridade do testemunho alheio serão também imunes a “argumentos de autoridade”.

Quando considero que uma mentira repetida muitas vezes pode parecer uma verdade, estarei a referir-me á interpretação literal de “ilusões”, “concepções” e “superstições” que teimosamente e de forma doentia persistem em evidenciar – como diria Orígenes –, algo imaterial.
Acreditar em algo com base na fé é acreditar em algo sem provas verificadas, é promover a negação da razão através de “concepções”duvidosas.

As nossas convicções deverão alicerçar-se naquilo que conhecemos e compreendemos e não na crença ou fé cega, para que perante factos verificáveis e de forma racional possamos perceber até que ponto a existência de uma divindade criadora possa ser imprescindível.

8 de Outubro de 2007

Simbologia


É óbvio e por demais evidente que a “cruz” é – senão o mais importante –, o principal símbolo da religião cristã. Para outros apenas mera simbologia.

Independentemente de ser um ícone “adorado” por muitos, não deixa de estar associado a castigo, dor, sofrimento, morte…Basta procurarmos pelo significado de “crucificação” e ficamos a saber que a “cruz” é o principal instrumento de castigo, tortura e morte usado pelos romanos sobre os escravos e condenados… anterior á condenação e morte do “Cristo” da fé cristã…
Como instrumento de punição tortura e morte, será igualmente um símbolo da aniquilação do corpo. E uma ideologia que não valoriza o corpo, não pode respeitar a vida humana, esta vida que possuímos…
Claro que a crença da vida depois da morte é uma opção válida como qualquer outra.

Vem isto a propósito de um “comentário” que fiz e do qual "alguém", legitimamente discordou… Como tal resolvi esclarecer o meu ponto de vista, porque na maioria das vezes basta saber que “aquela” pessoa é ateia, religiosa ou seja lá o que for, para que tudo o que ela diz ser lido apenas de modo a podermos manifestar a nossa indignação e a “não deixar passar”.

28 de Julho de 2007

Opção ou conveniência?


Um blog poderá – no mínimo –, servir para desabafarmos ou servir mesmo para coisa nenhuma. Escrevermos num blog será uma oportunidade de expressarmos a nossa opinião sobre determinado assunto, de manifestarmos o nosso apoio a determinada causa ou até mesmo exteriorizarmos as nossas angústias, receios e dúvidas.

Publicarmos as nossas opiniões num blog leva-nos algumas vezes ao “confronto” de ideias por parte de estranhos, cujos ideais se sintam beliscados pelo que foi escrito ou simplesmente por discordarem. É neste “esgrimir” de argumentos – com todos aqueles que fazem uso dos “comentários” –, que conseguimos perceber que num universo de opiniões, as nossas serão apenas… meras opiniões.
Existe também a possibilidade de interditarmos os comentários ao que consideramos ser a “verdade absoluta”, divinamente protegida por qualquer dogma da infalibilidade, ou então por não estarmos seguros daquilo que tentamos transmitir. Inviabilizar os comentários – que será certamente uma opção válida como permiti-los –, poderá reflectir a falta de credibilidade no que possa ter sido “postado” ou ser a estratégia de uma atitude subserviente, interessada em aniquilar o conhecimento e a verdade.

Um dos locais em que algumas vezes comentei e discordei, deixou de permitir comentários (acto legitimo), pelo que manifestei a minha opinião em relação ao “post” sobre o “cardeal Cañizares” por mail e decidi transcrever a minha opinião aqui.

O cardeal Canizares, á semelhança do que a igreja tem feito ao longo dos tempos, tenta – manipulando a verdade –, promover e consolidar a mentira, privilegiando a ignorância e a pobreza de espírito. Todos nós sabemos que a crença religiosa consiste apenas num elevado grau de convicção – como diria Orígenes –, em algo puramente imaterial.

A manipulação do sentido das palavras – como é apanágio da igreja –, confunde e promove a suspeição. Não será o laicismo que deverá estar acima da lei, mas sim – e por uma questão de coerência –, os “estados” deverão ser laicos.
Perante a existência de outras crenças e/ou correntes de opinião, será imprescindível que a isenção, o racionalismo e a razão prevaleçam – em qualquer sociedade –, de modo a proporcionar uma cultura que encoraje a busca do conhecimento e proporcione a igualdade de oportunidades entre os seus cidadãos.
[Não poderemos exigir privilégios apenas por sermos maioria – perante uma “minoria aguerrida” – e depois repudiarmos o resultados eleitorais obtidos por uma maioria – em referendo -, simplesmente por terem sido adversos á crença.] Esse tipo de “democracia” será suficientemente elucidativo dos interesses da igreja.

“…se prescindirmos de “Deus”, o homem perde a sua dignidade…”
Como Nietzsch terá considerado – e bem –, “… o homem crente é necessariamente um homem dependente… ele não pertence a si mesmo, mas ao autor da ideia em que ele acredita…” Sermos “dignos” é acreditarmos nos nossos ideais e por coerência e honestidade, sermos nós próprios donos das nossas ideias.

Perante estas declarações, o Cardeal Cañizares terá não só, passado um atestado de insanidade mental a todos os crentes, como terá permitido confirmar – uma vez mais –, os interesses pouco transparentes da igreja.

“O jeito de ver pela fé é fechar os olhos da razão.” Benjamin Franklin