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Generosidade Religiosa Recente

Talibãs atacam grupos de vacinação no Paquistão. Hoje, falar em talibã é falar em extremismo religioso, é falar em terrorismo. Mas ainda me lembro de, num passado recente, serem designados por “estudantes de teologia” e serem descritos como representantes divinos da vontade de um povo. Mas esta notícia revela mais um aspecto que demonstra o espírito verdadeiro e generoso da religião: sendo a poliomielite “obra” de um qualquer “ser superior”, a aposta no combate e erradicação da maleita deve ser rejeitada e a proliferação e partilha da mesma, por vontade da tal divindade, deverá ser uma realidade. Isto é religião pura em todo o seu esplendor para que a fragilidade dos crentes seja explorada até á exaustão. A morte, a doença, e a angústia são o terreno fértil para a sementeira de “Deus”.

Religião e Preconceito

O debate público sobre as razões da morte de  Savita Halappanavar tem tido desenvolvimentos interessantes não só, porque as pessoas já entenderam que qualquer lei alicerçada numa superstição será sempre uma má lei, mas também porque começam a perceber que a crença numa ideia abstracta obriga a viver em negação e promove a regressão. Com excepção de algumas mentes menos lúcidas que, por conveniência, se dizem pró-vida e que em casos destes se acobardam atrás de um silêncio comprometedor, é convicção geral, praticamente unânime, de que sem as regras absurdas, senão mesmo doentias, impostas pela religião, teria sido poupada, pelo menos, uma vida, já que o feto não sobreviveria. Nos debates sobre violência religiosa surgem sempre os “bombeiros de serviço” tentando responsabilizar outras doutrinas, mais radicais e extremistas, garantindo, em nome de uma divindade, que a crença que professam apenas promove o “amor” e os princípios básicos de formação. Dando de barato os genocídios...

Luto

Newtown é sinónimo de dor e sofrimento. O mundo civilizado chora a tragédia e está de luto. Em memória das vítimas... "curvamo-nos e choramos em silêncio". Infelizmente, mais uma vez, testemunhamos a crueldade de uma mente doente e perturbada. Infelizmente, mais uma vez, crianças inocentes foram vítimas de um gesto irracional. Infelizmente, mais uma vez, surgiram “mentes” pérfidas e doentias apregoando moralidades e divindades As mesmas “mentes” que,   promovendo superstições , assobiam para o lado e refugiam-se atrás de um silêncio comprometedor… As mesmas “mentes” que de forma conveniente citam por conveniência… LAMENTAMOS

Filosofia versus Teologia

Um teólogo e um filósofo discutem os méritos relativos das disciplinas a que se dedicam. O teólogo diz: A filosofia é como um homem cego que procura numa cave completamente escura um gato preto que não está lá. O filósofo responde: Pois, e a teologia encontra o gato.

A “palmada” na educação III.

Surpreendente é a posição extremista de alguns representantes de “seitas” que, debitando inanidades, teimam em ignorar os direitos e liberdades dos jovens em nome de uma “ideia abstrata” que degrada as suas mentes tornando-os resistentes – senão mesmo, imunes –, à verdade e à razão. Educar não é doutrinar. Educar é promover a verdade através do saber e da razão. Vedar o acesso a certos factos para melhor manipular opiniões não é educar, é doutrinar. Doutrinar é fomentar conveniências de forma conveniente, é regredir. Acreditar na validade de conceitos e preconceitos da idade média para uma educação nos dias de hoje é o mesmo que promover a regressão a uma nova época de obscurantismo. Alguns iluminados, adeptos da ditadura da conveniência, alegam em sua defesa que “a punição física quando feita de forma carinhosa é uma forma válida na educação dos filhos”. Este tipo de atoardas significa o quê? O que é isso de “punição física feita de forma carinhosa”? “Punição física” ...

A “palmada” na educação II.

Pelo que li, é possível perceber, não só a debilidade e inconsistência, por falta de justificação, nos argumentos que contestam a lei, mas também um fundamentalismo retrógrado por parte de gente que – em pleno século XXI –, fala em educar segundo conceitos, preconceitos e superstições da idade média registados num “manual” elaborado por gente limitada no tempo e no espaço. Quando falo em “debilidade e inconsistência, por falta de justificação, nos argumentos que contestam a lei” estou a referir-me a justificações – como “uma palmada nunca fez mal a ninguém”, “eu levei muitas e não sou violento”, “uma palmada dada na hora certa é remédio santo”… –, demasiado inconsistentes. Eu também levei algumas palmadas mas isso não justifica que a violência é uma ferramenta na “arte” de educar. E não me venham com a conversa da “palmada carinhosa”, da “palmada educativa” ou da “palmada correctiva” porque isso é promover a ignorância, é auto prescrever um atestado de duplicidade intelectual. Um...

A “palmada” na educação I.

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou na passada quarta-feira o projeto-lei de proteção a menores que ficou conhecida como a “lei da palmada”. Supostamente esta lei surge para proteger os jovens da violência de adultos “ultrapassados” e/ou frustrados que teimam em promover os seus defeitos e preconceitos através da lei do mais forte. Ao contrário do que o senso comum pretende fazer crer, o “estado”, ao promover estas leis não pretende interferir na formação ou na forma, como as famílias devem educar os seus membros mais novos mas apenas contribuir para uma formação dos jovens alicerçada na racionalidade e sem violência. As leis devem ser preventivas e não repressivas de forma a evitar o aumento de excluídos. Este tipo de lei deveria ser aplaudida não só porque ajuda a promover o diálogo nas relações familiares e consequente consenso quanto ao “espírito de família” mas também porque leva os jovens a encarar a violência como algo negativo a evitar. A formação dos jovens é “...

A liberdade e a crença II...

A disponibilidade, para comentários ou debates, tem sido mínima devido á sobrecarga de trabalho mas, sempre que possível, procuro estar atento ao pensamento (?) de alguns “autores” que, confundindo preconceitos com atitudes, teimam em promover a ignorância. Tal como o propagandista, estes pseudo moralistas não estão interessados na verdade, mas sim, em controlar os argumentos desfavoráveis, deturpando-os. Uma certa comunidade religiosa brasileira optou por assumir uma “cruzada” contra a homossexualidade – em particular contra uma lei que criminalizará a violência sobre os homossexuais –, apenas pela incapacidade de reconhecerem aos outros, o direito á liberdade. No fundo, estes auto proclamados defensores da moral e bons costumes que teimam em negar o acesso á liberdade a quem deles discorde, fazem-no apenas, devido a preconceitos “registados” num manual da idade média, cujos autores, além de limitados pelo tempo e pelo espaço, pretendiam apenas a divulgação doutrinal de uma ideol...

A liberdade e a crença I

As crenças são alavancas que fazem mover quase tudo na vida de uma pessoa. Definem a visão do mundo, ditam o comportamento e determinam as reacções emocionais em relação aos outros seres humanos. Normalmente para quem vive num mundo a preto e branco é muito difícil discutir e aceitar ideias diferentes, o que corrói a possibilidade de discussão dessas mesmas ideias e inviabiliza o “pensamento livre”, isento e racional. Alguns crentes, cujas ideias são constantemente desmistificadas, refutadas e contrariadas confundem (por conveniência) “pensamento livre” com “aquilo que gostariam que fosse verdade” e, quando confrontados com o erro do seu raciocínio, manifestam predisposição para promover a mentira adulterando o significado das coisas. Este tipo de lamentos revela resíduos de intolerância porque “liberdade” significa coexistência de modelos e não a imposição de um em concreto. “Pensamento livre” é questionar, é esclarecer dúvidas, é confrontar ideias e debatê-las. É saber porque r...

Conjunctura do desígnio...

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Um erro recorrente na argumentação criacionista é que aponta falhas nas teorias existentes e propões “Deus” como alternativa. Ou seja, conclui a existência de “Deus” por considerar insuficiente a explicação das teorias científicas. Esse é o Deus-das-lacunas, cujo poder diminui com o aumento do conhecimento humano.

Demagogia constante

Se pretendermos promover a seriedade intelectual devemos denunciar alguns argumentos teístas criados com o objectivo único de atribuir responsabilidades a todos os não-crentes, por crimes cometidos a título individual, por pessoas que em muitos casos foram vitimas de uma educação férrea alicerçada num cristianismo – imposto (com enormes custos em vidas humanas) á algumas centenas de anos. A formação dum indivíduo tem a ver com o conhecimento acumulado ao longo da vida e com a interiorização dos valores existentes. Por uma questão de princípios, o indivíduo irá reagir de acordo com esses valores que estarão na origem da responsabilidade de todas as suas boas ou más decisões ao longo da vida. A menos que se pretenda atribuir as boas acções á crença e as más á descrença, toda a decisão de um indivíduo, mesmo influenciado, tem carácter individual, e se a pretensão de se libertar de valores que o “asfixiam” o levam aos meandros do crime será sempre, por uma opção pessoal, para se livr...

“Relativismo demagógico” ou “Demagogia relativista”?

A demagogia é a arte da manipulação do povo e é exercida por aqueles que, maliciosamente sabem vender uma mentira: os demagogos. Sabidos e de oratória fácil exploram os medos e os preconceitos populares para o conduzir por atalhos que nada têm a ver com o bem comum, apenas com a realização dos seus objectivos: a imposição de um estado submisso. Uma das estratégias adoptadas pelos crentes na defesa das suas convicções é o uso de posições e argumentos filosóficos como forma de baralhar para convencer. Pura demagogia. Depois de eu ter defendido que a “moral” não tinha nada a ver com divindades e que era apenas um conceito cuja definição teria a ver com as convicções sociais e culturais de um povo, o Maurílo procurou defender a sua posição desta forma: Se você acha que a moral é um costruto social, então você não pode julgar os antigos israelitas por nenhuma suposta atrocidades porque todas elas podiam ser toleráveis dentro da sociedade israelita antiga. Traduzindo á letra o que ...

Suposta benevolência…

“Misteriosos são os desígnios do Senhor”. Esta é uma das pérolas utilizada pelos crentes para fazer passar a ideia errada, de que tudo é aceitável e de igual valor, apenas com a intenção de transmitir uma mensagem, no mínimo, duvidosa e incoerente. Algumas justificações, além de ridículas, revelam a inexistência ou incapacidade de pensamento dos crentes que, convencidos pelas falsas virtudes de um punhado de preconceitos, acabam por aceitar e promover ideias e atitudes que ultrapassam as fronteiras do que é racionalmente aceitável. Para quem lê Deuteronômio 13:6-10 – na interpretação católica ou evangélica –, as dúvidas, quanto á existência de uma divindade benevolente, ficam esclarecidas de imediato. Um ser superior que exige o apedrejamento até á morte, de quem ponha em causa a sua existência ou doutrina, é certamente um promotor da paz e do amor. O Maurílo , por exemplo, justifica estes versículos afirmando que: “Se Deus é nosso dono, se Ele é uma divindade, então, Ele tem...

A verdade intimida os preconceitos

É normal que quem assuma uma postura autista de defesa do indefensável ignore o que os outros dizem, mas a diferença entre a aparência e a realidade das coisas poderá ser um hiato fatal para mentalidades limitadas que recusem a existência de um abismo entre a seriedade e a frivolidade. Quando se impedem os comentários e apagam as mensagens que refutam e/ou contrariam os nossos preconceitos apenas confirmamos que o respeito pelas outras religiões ou pelos pontos de vista dos não crentes, não é uma atitude defendida por “deus”, além de revelarmos um insuficiente amor à verdade e alguma suspeição sobre a honestidade real dos nossos interesses. Liberdade religiosa é o direito de optar por uma religião, assim como o direito de não acreditar em entidades sobrenaturais, mas fazer uso da pretensão de atingirmos a omnisciência rejeitando soberbamente a razão, é uma incoerência que confirma a intolerância como a essência de todas as crenças, que consideram tudo o resto como meros equívocos. Não ...

Após a dúvida

“A dúvida é o princípio da sabedoria.” Aristóteles É comum a todo o jovem, durante a sua formação a caminho da maturidade, ser confrontado com algumas dúvidas sobre ideias feitas ou modelos estereotipados que o levam a questionar sobre as razões de determinados preconceitos, que quando abordados são susceptíveis de gerarem anticorpos. Quando percebi que os dogmas eram criados para não serem questionados, compreendi que acreditar em superstições e divindades é uma questão de fé e não de razão. Ter fé, ou vontade de acreditar, em determinada crença é um direito que assiste a todo o humano – o que até nem incomoda –, apesar de lamentar que os crentes vivam com a mente acorrentada pelo medo de punição em outro mundo. O que incomoda é ignorar-se a existência de um abismo entre a seriedade e a frivolidade, e justificar a crença através da imposição de mitos como verdades absolutas. Esta realidade é uma hipótese assente em argumentos tão cretinos que nem sequer está errada, simplesmen...

Concepções

Ao responder ao “comentário” do João alonguei-me na escrita e perante o tamanho do texto optei por transformá-lo num “post”, que não deixa de ser na mesma a resposta a um argumento. Numa altura em que a ciência cada vez mais tem empurrado “deus” para o desconhecido – a nossa última fronteira –, tem-se sentido a presença de uma campanha de responsabilização do “ateísmo” pelos males da humanidade e intimidação dos “não crentes”, equiparando-os á imagem negativa de “seguidismo e dependência” criada pelos “crentes” ao longo dos séculos. Richard Dawkins é um cientista e académico conceituado e considerado pelos seus pares, com uma facilidade impressionante de transformar em texto conjuntos de ideias tendentes a contrariar e desmistificar “aquilo” que considera ser ilusão ou superstição. Estes textos, obras literárias, que ao contrário de outras que são consideradas de “culto espiritual”, pretendem apenas informar e desmistificar as contradições existentes entre o racionalismo científico –...

Simbologia

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É óbvio e por demais evidente que a “cruz” é – senão o mais importante –, o principal símbolo da religião cristã. Para outros apenas mera simbologia. Independentemente de ser um ícone “adorado” por muitos, não deixa de estar associado a castigo, dor, sofrimento, morte…Basta procurarmos pelo significado de “ crucificação ” e ficamos a saber que a “cruz” é o principal instrumento de castigo, tortura e morte usado pelos romanos sobre os escravos e condenados… anterior á condenação e morte do “Cristo” da fé cristã… Como instrumento de punição tortura e morte, será igualmente um símbolo da aniquilação do corpo. E uma ideologia que não valoriza o corpo, não pode respeitar a vida humana, esta vida que possuímos… Claro que a crença da vida depois da morte é uma opção válida como qualquer outra. Vem isto a propósito de um “ comentário ” que fiz e do qual " alguém ", legitimamente discordou… Como tal resolvi esclarecer o meu ponto de vista, porque na maioria das vezes basta saber que “...

Opção ou conveniência?

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Um blog poderá – no mínimo –, servir para desabafarmos ou servir mesmo para coisa nenhuma. Escrevermos num blog será uma oportunidade de expressarmos a nossa opinião sobre determinado assunto, de manifestarmos o nosso apoio a determinada causa ou até mesmo exteriorizarmos as nossas angústias, receios e dúvidas. Publicarmos as nossas opiniões num blog leva-nos algumas vezes ao “confronto” de ideias por parte de estranhos, cujos ideais se sintam beliscados pelo que foi escrito ou simplesmente por discordarem. É neste “esgrimir” de argumentos – com todos aqueles que fazem uso dos “comentários” –, que conseguimos perceber que num universo de opiniões, as nossas serão apenas… meras opiniões. Existe também a possibilidade de interditarmos os comentários ao que consideramos ser a “verdade absoluta”, divinamente protegida por qualquer dogma da infalibilidade, ou então por não estarmos seguros daquilo que tentamos transmitir. Inviabilizar os comentários – que será certamente uma opção válida co...

Cristianizações

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Quando nos encontramos condicionados á partida, por simpatias, convicções ou superstições, dificilmente permitimos a argumentação livre, isenta de mitos, fanatismos e preconceitos, ignoramos mesmo o racionalismo isento e tolerante. Questionar o que seria a Europa se não tivesse sido “cristianizada”, será enveredar por um autismo arrogante e leviano, de quem padece de anorexia mental. Este tipo de questões preconceituosas e perversas permite, não só a argumentação limitada e restrita sobre cenários hipotéticos ou especulativos, bem como, a intimidação através da insinuação. Apesar da manipulação dos factos, acreditar neste tipo de questões seria uma piada de proporções cósmicas, se não tivesse sido tão trágico. “A história é escrita pelos vitoriosos, á sua maneira.” [Prof. Elaine Pagels] Segundo a história, – e para os “cristãos” que reivindicam o monopólio da ética –, as épocas de maior fervor religioso coincidem com as de menor progresso da humanidade, numa prova clara e inequívoca d...

Visionários

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Caro Cipriano Considerando o conteúdo do seu texto como pura retórica – falou, falou, mas não disse nada –, destacarei apenas três pontos que considerarei essenciais, e que terão relacionado a sua “crendice” àquilo que Thomas More tão bem definiu no seu livro, “Utopia”. Além de absurdos e ultrapassados, os seus argumentos serão difíceis de aceitar para quem não seja condicionado á partida. A velha táctica de direccionar a conversa para outro contexto, evitando argumentar ou justificar, só revela a ausência e a debilidade de argumentos, o desespero duma crença fustigada por factos inconvenientes. Caro Cipriano, informar é dever de quem não teme confundir a arma do cobarde e ocultar a arma do poder. Hoje, o conhecimento da história está ao alcance de muitos e a mentira sobre factos é mais fácil de rebater do que o embuste sobre “Deus”. 1] Ao sugerir indelicadeza por invasão de propriedade alheia, a razão será discutível – não afirmo que não a tenha –, devido ao desconhecimento – de que a...